Era mais ou menos umas quatro da tarde. Eu adoro andar pelo centro da cidade essa hora. Tem uma calçada em específico, que fica encoberta pela sombra dos prédios, por onde passa uma corrente de ar agradável ao cansaço do fim do dia. Eu andava a favor do vento, meio pensativo meio esquecido do que tinha que fazer. Um homem alto e corpulento desceu de um ônibus na parada à minha frente. Veio seguido de uma mulher, um pouco maior que a metade do seu tamanho. Ele olhou sorrindo pra ela enquanto parecia continuar alguma história, interrompida pela cordinha puxada dentro do ônibus. Ela olhou pra cima pra onde ele estava, ouvindo. Depois deram-se as mãos.
Houve ali tamanho hábito e involuntariedade, que nenhum dos dois sequer pensou ou percebeu em nível consciente que haviam enlaçado as mãos. Ele a tomou no fim da sua sentença, e ela lhe aceitou no início do sorriso que foi sua resposta. Um único segundo de evidência da cumplicidade que só o tempo provém. Andavam sabe-se lá pra onde. Mas parecia que o faziam com a certeza de que o que quer que acontecesse de um lado, isto seria sentido do outro. Estavam ali a alguns passos a minha frente, duas almas agradecidas pela oportunidade de viverem juntas e que não dariam a chance de se perderem.
Que se enlaçaram um no outro assim como quem não quer nada, porque é evidente que já tem tudo.
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Tão lindo quando o amor acontece quando a gente menos espera, nas formas mais simples possiveis! adorei!
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