Estava sentado, a despeito do hábito, na poltrona do lado da janela. Voltava da faculdade; passava das seis da noite. Vinha jogado contra o vidro, anestesiado pelo frenesi de luzes da cidade que por alguns momentos são mais rápidas que o pensamento. O 111 freia na primeira parada do Centro. Sobe um homem de casaco escuro, engajado numa conversa de celular.
Fiquei indiferente, sem mexer um músculo, torcendo para que não sentasse do meu lado o carrasco da minha morte. O culpado do crime das manchetes nos jornais do dia seguinte. Senta o homem comigo.
- Não fiquei porque ia perder o ônibus. Já já eu to chegando. Tchau. Um beijo.
Descansa o celular no colo. Eu em minha habitual paranoia, verifico pelo canto do olho se a chamada era real ou puramente o jogo de cena que antecede o crime do meu fim. "Chamada encerrada"
era Amor TIM.
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